Mitos e verdades sobre Vacinas!

Você provavelmente já ouviu falar de centenas de histórias sobre os “malefícios” da vacinação, que pessoas morreram por causa delas, que o amigo do vizinho passou mal, etc. Mas será que com tantos estudos, não há análises nem imparcialidade suficiente para desmistificar essas questões? Será que temos tantos ‘especialistas’ na área julgando corretamente as informações? Ou que a grande queda de taxas de diversas doenças antes extremamente decorrentes, ou ainda que o vertiginoso aumento sa expectativa de vida, nada tem a ver com a vacinação?

Fato já aceito por muitos profissionais de saúde é que a imunização anda sendo vítima de inúmeras fake-news e análises tendenciosas, que geraram uma expressiva parcela da população contrária a vacinação. Como resultado deste e outros problemas, como a falta de acesso a vacinas, provocou o ressurgimento de surtos de diversas doenças até então tidas como erradicadas ou controladas.

Em um rápido e simplista resumo: todo medicamento (e vacinas são medicamentos, seja para a prevenção, recuperação, manutenção ou recuperação da saúde) possui riscos e benefícios atrelados, mas não podemos ignorar fatos como as milhares de doenças praticamente erradicadas e controladas através da imunização com o passar das décadas; não podemos nos ausentar de nosso papel como educadores de saúde, e deixar de entender o quão ignorante (no sentido de falta de conhecimento geral sobre o assunto) a população em geral é em relação aos princípios da imunização; não podemos nos eximir de nosso papel protagonista na saúde brasileira, frente á um povo amedrontado, que se sente usurpado e enganado frente ao cenário atual de corrupção.

É com conhecimento, habilidade e atitude que nós vamos transformar de vez as farmácias brasileiras em verídicos estabelecimentos de saúde, com o farmacêutico como protagonista desta transformação. Precisamos estar preparados, confiantes e cientes de que podemos fazer a diferença na saúde e bem-estar da população brasileira através deste ‘novo’ serviço farmacêutico!

Por esse motivo, selecionamos alguns dos principais questionamentos acerca das vacinas, sob á luz da Saúde Baseada em evidências. Vamos á eles!

MITOS E VERDADES

O mercúrio presente nas vacinas causa autismo.

MITO. O mercúrio é um dos componentes do timerosal, o conservante mais utilizado em vacinas multidoses. Ele é empregado desde 1930 em concentrações muito baixas e os estudos mostram que não há risco para a saúde, pois é expelido rapidamente do organismo. De qualquer forma, o timerosal já não faz parte da formulação de nenhuma vacina em apresentação monodose, estando presente apenas em vacinas multidoses (mais de uma dose por frasco).Em 1998, foi publicado um artigo em que o autor afirmava ter encontrado relação entre a vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) e o autismo. Mais tarde, descobriu-se que ele havia recebido pagamento de escritórios de advocacia envolvidos com processos de indenização contra indústrias farmacêuticas. O autor foi criminalmente responsabilizado, teve o registro médico cassado e o artigo foi retirado dos arquivos da revista Lancet, onde fora publicado.Inúmeros estudos sérios têm sido conduzidos para verificar a relação entre a vacina e a doença e nenhum encontrou qualquer evidência. Um dos maiores foi divulgado em 2015 e avaliou 95.727 crianças nos Estados Unidos, entre 2001 e 2012. A análise dos dados mostrou que a vacinação com uma ou duas doses da tríplice viral não estava associada com um risco aumentado de Transtorno do Espectro Autista (TEA) em qualquer idade.

SAIBA MAIS:

Vacina da gripe causa gripe.

MITO. A vacina da gripe usa vírus inativado (morto) em sua composição, portanto, NÃO é possível que provoque a doença. É importante destacar que a função da vacina é prevenir. Sendo assim, se a pessoa que foi vacinada já estiver infectada, vai desenvolver a doença. Por essa razão é tão importante se vacinar antes do início da temporada da gripe. Os eventos adversos mais comuns após essa vacinação são: dor, vermelhidão e inchaço no local da aplicação. Febre baixa, dor de cabeça e muscular também podem acontecer.

Gestantes ou lactentes não devem tomar vacinas!
MITO. Algumas vacinas, como a da gripe, da hepatite B e da difteria, tétano e coqueluche são especialmente indicadas a gestantes, para a proteção delas e também do feto e do bebê após o nascimento. A aplicação de outras vacinas inativadas deve ser avaliada pelo médico, considerando cada caso (riscos individuais, moradia em região endêmica para determinadas doenças, ocorrência de epidemias, etc.). As vacinas atenuadas (febre amarela, tríplice viral, varicela, herpes zóster) em geral estão contraindicadas. É importante lembrar que a gestante deve sempre consultar seu farmacêutico e obstetra antes de se vacinar.
Quanto aos lactentes, a vacinação, geralmente, não está contraindicada nessa fase e pode ser realizada normalmente. Aliás, é desejável que ocorra, para evitar que a mãe transmita vírus ou bactérias ao seu bebê. Apenas duas vacinas estão contraindicadas para mulheres que estejam amamentando: febre amarela e dengue. A primeira deve ser evitada nos primeiros seis meses de vida do bebê, exceto quando a mulher viver em zonas de transmissão do vírus — neste caso, a amamentação deve ser suspensa por 10 dias. A vacina da dengue está contraindicada para todas as nutrizes, independentemente da idade do bebê.

Tomar mais de uma vacina ao mesmo tempo é prejudicial para o sistema imunológico.

MITO. A segurança da aplicação simultânea de vacinas e/ou de vacinas combinadas (contra mais de uma doença) é comprovada cientificamente e não sobrecarrega o sistema imunológico. Para se ter uma ideia, durante um resfriado ou uma dor de garganta, uma criança é exposta a quantidade maior de germes do que quando recebe vacinações. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a vantagem da aplicação simultânea é diminuir as visitas à clínica de vacinação ou Unidade Básica de Saúde, o que reduz gastos — com transporte, por exemplo — e facilita a adesão, uma vez que aumenta a chance de completar o esquema vacinal.

Vacinas da gripe não causa reação adversa.

Mito. Após a aplicação da vacina, podem ocorrer, de forma rara, dor, vermelhidão e endurecimento no local da injeção. São manifestações consideradas benignas, cujos efeitos costumam passar em 48 horas.

A vacina da gripe é contra indicada para pessoas resfriadas, gripadas, medicadas ou com febre.

Mito. Desde que não esteja com febre acima de 38,5° C,pode tomar a vacina da gripe se estiver gripado. A antibioticoterapia também não descarta a vacina. Porém, é importante lembrar que a vacina não vai aliviar os sintomas da gripe já instalada, nem curá-la.

O objetivo de tomar a vacina contra a gripe é prevenir novos casos quando houver um surto. Se a pessoa já estiver contaminada com o vírus, a dose não vai fazer efeito contra essa infecção. A vacina da gripe também não provoca gripe. Ela é produzida com vírus mortos, incapazes de causar a doença. Portanto, se a pessoa estiver gripada, não apresentar febre e decidir tomar a vacina, ela não vai ficar mais doente por isso.

A vacina contra a gripe é contraindicada para pessoas alérgicas à proteína do ovo, que é usada na sua fabricação. Indivíduos que já tiveram uma reação alérgica depois de comer ovo não devem se vacinar. No entanto, esse tipo de alergia é bastante raro. Quem já teve reações adversas a algum dos componentes da vacina também não deve se vacinar. Nestes casos, é recomendável uma avaliação médica para saber se é seguro ou não tomar a vacina. A vacina é contraindicada para pessoas com história de reação anafilática prévia em doses anteriores ou para pessoas que tenham alergia grave relacionada a ovo de galinha e seus derivados. É importante procurar o médico e seu farmacêutico para mais orientações.

Em geral, qualquer doença ou medicação são contra indicações para o uso de vacinas.

Mito. As contraindicações das vacinas apenas se aplicam a vacinas de bactérias ou vírus atenuados, isto é, a vacinas que são fabricadas com bactérias ou vírus vivos, como a vacina BCG, tríplice viral, catapora, poliomielite e febre amarela.

Assim, estas vacinas estão contraindicadas a:

  • Indivíduos imunossuprimidos, como pacientes portadores de AIDS, em quimioterapia ou transplantados, por exemplo;
  • Indivíduos com câncer;
  • Indivíduos em tratamento com corticoides em dose alta;
  • Grávidas.

Todas as outras vacinas que não contêm bactérias ou vírus atenuados podem ser administradas.

No caso do indivíduo ser alérgico a algum componente da vacina, deve consultar um alergologista para ele decidir se a vacina deve ou não ser administrada, como é o caso de:

  • Alergia ao ovo: vacina da gripe, tríplice viral e da febre amarela;
  • Alergia à gelatina: vacina da gripe, tríplice viral, febre amarela, raiva, varicela, tríplice bacteriana: difteria, tétano e coqueluche.

Neste caso, o alergologista deverá avaliar o risco/benefício da vacina e, desta forma, autorizar a sua administração.

Falsas contraindicações das vacinas

As falsas contraindicações das vacinas incluem:

  • Febre, diarreia, gripe, resfriado;
  • Doenças neurológicas não evolutivas, como a síndrome de Down e a paralisia cerebral;
  • Convulsões, epilepsia;
  • Indivíduos com antecedentes familiares alérgicos à penicilina;
  • Desnutrição;
  • Ingestão de antibióticos;
  • Doenças cardiovasculares crônicas;
  • Doenças de pele;
  • Bebês prematuros ou com baixo peso, exceto o BCG, que deve ser aplicado somente em crianças com mais de 2 kg;
  • Bebês que sofreram icterícia neonatal;
  • Aleitamento materno, no entanto, neste caso, deve ser sob orientação médica;
  • Alergias, exceto as que se relacionam com os componentes da vacina;
  • Internação hospitalar.

Assim, nestes casos, as vacinas podem ser tomadas, sempre com o aval de seu farmacêutico e médico.

Fontes:

Sbim – Sociedade Brasileira de Imunologia

Ministério da saúde. Brasil.

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