Dicas e cuidados sobre o uso de Repelentes por Gestantes, Lactentes e Crianças!

repelente-caseiro-pescador

Como Aplicar Corretamente o Repelente?

  • Aplicar somente em zonas de pele expostas a picadas e não cobertas por roupas;
  • A aplicação no rosto deve ser feita com precaução, evitando os olhos e mucosas e aplicando escassamente em volta das orelhas.
  • Os repelentes em spray não devem ser aplicados diretamente no rosto, para evitar uma exposição ocular e respiratória, devendo ser vaporizados nas mãos e aplicados com estas na face;
  • Lavar sempre as mãos após aplicação do repelente;
  • Não devem ser aplicados em pele irritada ou com lesões, zonas de pele sensível, com queimaduras solares, ou em pregas cutâneas profundas; deve ser evitado o contato com as mucosas;
  • Não permitir que as crianças manuseiem o produto; Ao utilizar em crianças, aplicar nas próprias mãos primeiro e só depois na pele da criança.
  • Não passar repelente nas mãos das crianças, nem por cima da roupa em partes que a criança possa levar a boca;
  • È recomendável tomar banho a noite para retirar o repelente residual da pele;

605154-Os-repelentes-são-usados-para-espantar-os-insetos.-Foto-divulgação

Proteção contra mosquitos para crianças entre 6 meses a 2 anos:

  • Não é recomendado o uso de qualquer repelente em bebês abaixo de seis meses.
  • A recomendação de não aplicar alguns tipos de repelentes em menores de dois anos não se dá por toxicidade, mas por falta de estudos nessa população.
  • Podem ser usadas telas nas janelas e nas portas do quarto da criança, é o método mais inofensivo à saúde. Telas e mosquiteiros impregnados de permetrina têm boa segurança para crianças, inclusive bebês, não havendo contraindicação estabelecida. São recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
  • Aparelhos de tomada que liberam inseticida podem ser ligados quando a criança não estiver no quarto porque podem ser prejudiciais à saúde. Devem ser ligados longe do berço ou da cama.

TIPOS DE REPELENTES CONTRA AEDES AEGYPTI

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A Icaridina possui ação de longa duração no combate aos insetos, quando encontrada na concentração ideal: entre 20 e 25%. Nessas concentrações, o produto protege o usuário por até 10 horas, ou a cada cinco horas, caso a temperatura seja superior a 30°C. Caso a temperatura seja maior que 30ºC ou a pele tenha contato com água, o repelente deve ser reaplicado a cada 4,5 horas para sua total segurança. A Icaridina ou KBR 3023 (1-piperidinecarboxylic acid, 2-(2-hydroxyethyl)-1-methylpropylester) – grau de evidência AII(8):é um novo e promissor repelente derivado da pimenta, indicado pela OMS para viajantes, juntamente com DEET(1,8,9). Em concentração de 10% confere proteção por um período de três a cinco horas e, a 20%, de oito a dez horas(6). Sua ação é comparável a concentrações de 15-50% de DEET, mas permite reaplicações em intervalos maiores de tempo(6,8,18-20). Estudo africano verificou que a potência do KBR 3023 contra o Anopheles gambiae não difere do DEET, mas contra o Aedes aegypti é de 1,1 a 2,0 vezes mais potente(21). Após dez horas de exposição, é mais eficaz que o DEET e o IR 3535(22). Há uma única marca disponível no Brasil e seu uso é recomendado para crianças acima de dois anos.

IR 3535 (3-[N-acetyl-N-butyl]-aminopropionic acid ethyl ester): é um biopesticida sintético com estrutura química semelhante ao aminoácido alanina, disponível na Europa há mais de 20 anos. Em concentração de 20%, é eficaz contra Anopheles e Aedes por um período de quatro a seis horas. Pode ser usado por gestantes, pois possui bom perfil de segurança. Na França, é recomendado apenas para crianças acima de 30 meses(9). Estudo desenvolvido no Brasil comparou o IR3535 e o KBR 3023 a 10 e a 20%, verificando-se uma média de proteção até a primeira picada de Aedes aegypti de seis horas (mínimo de cinco horas e 20 minutos), sem diferença significante entre os produtos(23). Comparado ao DEET, o IR3535 foi igual ou superior na proteção contra duas espécies de flebótomos(24). O tempo de proteção para Aedes aegypti foi similar ao DEET – cerca de três horas – com fórmulas a 10 e 20% de ambos os repelentes(25). Há estudos, entretanto, que evidenciaram proteção média tão curta quanto seis a 23 minutos(3). O IR 3535® é uma alternativa aos produtos com DEET e Icaridina. Disponível desde 1980, sua estrutura química é baseada em uma substância natural (beta-alanina). Ele é ativo contra mosquitos, inclusive o Aedes egypiti, moscas, carrapatos, piolhos, vespas, abelhas. Sua eficácia é totalmente comparável à do DEET, mas ele tem um perfil toxicológico muito mais interessante e boas propriedades cosméticas. Até 4 horas de proteção, e em temperaturas superiores a 30ºC, reaplicar a cada 2 horas.

  • Tão eficaz quanto o DEET porém com menos toxicidade e maior segurança;
  • Eficácia e segurança comprovada;
  • Pode ser utilizado em crianças acima de 6 meses e em gestantes e lactantes.
  • Repelência por cerca de 2 horas;

DEET (N,N-dietil-3-metilbenzamida ou N,N-dietil-mtoluamida) – grau de evidência AI(8): é o repelente mais eficaz atualmente disponível, sendo usado desde a década de 1950 em mais de 80 bilhões de aplicações(1,8,10). Quanto maior a concentração da substância, mais longa é a duração da proteção (atingindo um platô em 35-50%), sem toxicidade relevante(7,8,10,15). Um estudo recente verificou que formulação com 4,75% de DEET confere proteção completa por 88 minutos; com 6,65% de DEET a proteção dura 112 minutos; com 23,8% de DEET a proteção é de 301 minutos em média, superior à proteção fornecida por óleo de soja e citronela(2). Para uso habitual, altas concentrações não são necessá- rias. Deve-se, entretanto, considerar situações de altas temperaturas, umidade, chuva, área com grande chance de transmissão de doença e dificuldade de reaplicação seriada(7,8,10,15,16). Formulações de liberação prolongada permitem boa proteção com menor quantidade de repelente. Para exposições demoradas, recomenda-se o uso de produtos com maior concentração e não a reaplicação seriada de produtos com menor quantidade de princípio ativo(7). A concentração máxima para uso em crianças é controversa: a Academia Americana de Pediatria (AAP) permite o uso de até 30% em maiores de dois anos(17); a Sociedade Canadense de Pediatria (SCP) preconiza produtos com até 10% de DEET para crianças de seis meses a 12 anos(8) e autores franceses também sugerem concentrações de até 30% para crianças entre 30 meses e 12 anos (9). Na literatura, há um consenso de que se deve optar pela menor concentração efetiva e não são indicados para crianças com idade menor de dois a seis meses. No Brasil, a maioria dos produtos destinados a crianças e adultos contém DEET <10% (Tabela 1).

Repelente-de-insetos

E o que estudos científicos falam sobre uso de repelentes?

Analisando o estudo científico entitulado “Repelentes de insetos: recomendações para uso em crianças”, de STEFANI, G. et al (2009),frisamos o seguinte:

“Alguns fatores podem interferir na eficácia dos repelentes como a predisposição individual de acordo com substâncias exaladas pela pele (ácido lático, suor, CO2 ) e a existência de fatores de risco para picadas, entre os quais se destacam presença de eczema, sexo masculino, idade adulta, ingestão de álcool, vestimentas escuras, umidade, odor, clima quente e úmido, fragrâncias florais(2,10,11).O sexo feminino, entretanto, é fator de risco para ineficácia do repelente, independentemente dos níveis de estradiol(12), assim como a realização de atividades físicas moderadas(13). Dessa forma, um repelente não protege igualmente todos os seus usuários(2,7). Cada 10o C a mais na temperatura pode reduzir o tempo de proteção do repelente em até 50%.”

Seguem duas tabelas com informações sobre o tempo de duração para cada tipo de repelente e concentração dos mesmos:

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E também outra com recomendações gerais sobre a aplicação destes produtos:

quadrorecomendacoes.png

PERGUNTE AO FARMACÊUTICO

Farmacêutico(a), por quê o Repelente deve ser o último produto aplicado na pele, até mesmo depois do protetor solar?

O Repelente deve ser o último produto aplicado sobre a pele, inclusive depois do protetor solar, porque os princípios ativos que possuem a ação repelente nas formulações (Icaridina, IR 3535, DEET, etc), para surtirem efeito, devem se vaporizar ou volatizar (liberar suas partículas no ar, um processo físico natural de óleos essenciais, perfumes e matérias-primas com moléculas leves) e formar então uma nuvem de repelência que irá afastar os insetos indesejados por um determinado período. Somente aplicando-o por último você garante que esse processo ocorra de maneira adequada e por mais tempo!

Referências bibliográficas

  • World Health Organization [homepage on the internet]. International travel and health 2008 edition. [cited 2008 Apr 10]. Available from: http://www. who.int/ith.
  • Agência Nacional de Vigilância Sanitária;
  • Repelentes de insetos: recomendações para uso em crianças. Germana Pimentel Stefani1 , Antonio Carlos Pastorino2 , Ana Paula B. M. Castro3 , Angela Bueno F. Fomin3 , Cristina Miuki A. Jacob. Rev Paul Pediatr 2009;27(1):81-9.
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