O quê Deadpool tem a ver com a Farmácia do Futuro?

 

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Talvez alguns farmacêuticos catedráticos, professores ou não, tenham tremido nas bases ao ler esta metáfora, mas acho que ela se faz necessária no contexto atual. Estamos passando por uma grande avalanche de mudanças no setor farmacêutico, especialmente no varejo farmacêutico e nas atribuições do profissional farmacêutico brasileiro.

Ok, pessoal do Falecomofarmacêutico! Mas o que raios significa essa metáfora e o que tem a ver o filme Deadpool com a “Farmácia do Futuro”? Bom, para explicar apresentaremos uma análise resmuida deste block buster cinematográfico, e para isso citarei trechos de uma ótima analise e publicação sobre este filme e o tema administração, mais precisamente “Porque assistir deadpool pode ser melhor que assistir uma aula de administração?” (acesse aqui).

Seguem os trechos que julgamos super válido compartilhar:

“O mais novo filme da Marvel, do controverso “herói” Deadpool, em minha opinião, poderia entrar nessa listinha de indicações complementares em qualquer curso. Como sucesso cinematográfico, ninguém pode questionar. Para se ter uma ideia, segundo a “Entertainment Weekly”, o filme arrecadou cerca de 135 milhões de dólares somente no fim de semana de estreia, tornando-se o primeiro filme com restrição etária a quebrar o recorde de US$ 100 milhões na estreia.

Inovação

Um de seus sucessos está atrelado a ruptura. O enredo e a própria característica do personagem já trazem uma quebra em termos dos habituais filmes de super-heróis (que por sinal, já estão bem saturados). Deadpool é subversivo e inovador em diversos aspectos, tanto em sua estrutura narrativa quanto no uso de violência, palavrões, humor e da quebra da quarta parede (quando o personagem conversa com o espectador). Há uma ruptura com a atual fórmula que os atuais blockbuster de super-heróis insistiam seguir para apresentar suas histórias.

Um dos grandes nomes atuais no conceito em inovação, Durwin Sharp, costuma fazer uma provação interessante sobre o tema: “Como você demonstra o valor de uma inovação? Traduzindo ideias em algo que até os céticos conseguem entender: resultados.

Não fazer o mais do mesmo em um filme, mesmo usando um personagem não tão conhecido do grande público, parece ter sido uma das fórmulas encontradas para que o Mercenário Tagarela (como também é conhecido Dearpool) encontrasse o sucesso.”

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E a Farmácia e o Farmacêutico a ver com isso?

Para enriquecer esta reflexão, trago um trecho de um documento que adoro e já citei inúmeras vezes: “Os farmacêuticos devem mover-se de trás do balcão e começar a servir o público, fornecendo cuidados ao invés de somente dispensação. Não há futuro no simples ato de dispensar. Essa atividade pode e será assumida pela internet, máquinas, e / ou técnicos pouco treinados.

O fato dos farmacêuticos terem uma formação acadêmica e atuarem como profissionais de saúde coloca uma responsabilidade para melhor servir a comunidade do que é feito atualmente.” (Organização Mundial da Saúde (OMS) e International Pharmaceutical Federation (FIP), 2006 – “Developing pharmacy practice”).

O principal ponto que gostaria de enfatizar sobre este trecho, e sobre o filme Deadpool, é que o varejo farmacêutico, e os profissionais que neste atuam, estão em grande parte estagnados em um modelo, sem grande diferenciação, muito áquem do que poderiam oferecer – mas com muito potenciais latentes. Em geral, há pouquíssima inovação, muito enfoque em design, muita competição por preço e mix de produtos, e o que acaba ficando de lado é o GRANDE e latente potencial que é o CORAÇÃO e a ALMA de uma farmácia: o seu papel transformador e promotor na saúde e bem-estar da sociedade.

As amarras e entraves corporativos, legislativos e profissionais são muitos, e tudo isto tem algumas origens e berços já reconhecido por muitos: uma graduação extremamente dogmática e tecnicista, quadrada por excelência, a desvalorização profissional do farmacêutico no cenário brasileiro e o crescente interesse econômico em detrimento do sanitário pelos grandes empresários que tratam a farmácia como um negócio qualquer.

Além disto, o próprio modelo de farmácia já consagrado como negócio, que enxerga o profissional farmacêutico como mera exigência legal, e que enfoca o lucro em detrimento da melhoria de saúde e bem-estar que esta pode propiciar, está prestes a atingir seu colapso. Estes fatos levam este setor a apresentar grande dificuldade em fugir destes “padrões mercantis”: há pouquissima variação nos serviços e atendimento oferecidos, pouco enfoque nos serviços farmacêuticos (ja há algumas iniciativas neste sentido, mas em geral, poucas exploradas com sucesso, e algumas salas de serviço farmacêuticos aparecendo pelo Brasil), muito enfoque em preços, descontos e mix de produtos.

Se analisarmos os cenários mundiais e a própria percepção social sobre o profissional farmacêutico no Brasil e no mundo, assim como sobre o uso de medicamentos, há clara distonância, já que em países como Canadá e Estados Unidos, ele figura entre os profissionais mais prestigiados e respeitados, e há pouca possibilidade de auto-medicação (não me refiro a otc) sem a prévia consulta, ao menos, ao farmacêutico. Em especial no Canadá, as atribuições do profissional na farmácia são inúmeras, passando desde a alteração de prescrições com problemas, ou necessidade de alteração, até mesmo a prestação de exames clínicos na farmácia, dentre uma infinidade de serviços. E os potenciais e resultados possíveis são inúmeros!

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No Brasil, a instauração da prescrição farmacêutica e a promulgação de leis e decretos da classe, começa a solidificar um caminho no qual a farmácia começa a ser encarada como real estabelecimento de saúde, e as atribuições do profissional farmacêutico começam a ganhar un cunho mais clínico, configurando o seu papel comunitário e sanitário que estava começando a se apagar. Mas, logicamente para isso o farmacêutico precisará vestir a camisa e começar a se capacitar para exercer tais funções, assim como as grandes redes deverão analisar e planejar esta instauração para então aproveitar essa ferramenta, que podd ser revertida em resultado financeiro certamente. Caso contrário, criaram salas de serviço farmacêutico tipo “elefantes brancos”, como alguns estádios de Copa do Mundo, que depois da inauguração, exisitiram somente para decorar o ambiente.

A legislação atual já oferece a possibilidade de que os farmacêuticos e farmácias ofereçam certos serviços de saúde, mas há poucos relatos e as oportunidades são subutilizadas por muitos. Contudo, a tendência é que a diversidade de serviços cresça, mas para isso estes precisaram se capacitar e assumir seu papel. Precisamos, e a sociedade também precisa urgentemente, que quebremos estas paradigmas e monotonia – temos uma população carente em matéria de saúde e atenção. E é por isso que Deadpool tem tudo a ver com a Farmácia que precisamos, a Farmácia do Futuro!

Farmácias que merecem ser analisadas

Para finalizar, darei alguns exemplos de farmácias, brasileiras e internacionais, que tentaram fugir dos moldes clássicos e se diferenciaram com sucesso das demais – e sem deixarem de lado seus resultados e reconhecimento.

1) PillPack

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Com sua sede situada em Manchester, NH, nos Estados Unidos, clama ter sido verdadeiramente desenvolvida e engajada em valorizar a experiência do paciente/consumidor, e hoje atende 41 unidades federativas dos EUA através de envio postal, além de atender presencialmente em sua sede.

Entretanto, eles não entregam simplesmente os produtos e medicamentos como todas as demais farmácias, eles fazem mais que isso: entregam todos os produtos e medicamentos de maneira organizada, em embalagens identificadas por data e hora de uso, com um plano de uso e informações importantes grifadas para facilitar o uso racional de medicamentos, de maneira individual, só para você.

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Alem disso, eles analisam toda a terapia medicamentosa, alertam todos os seus médicos sobre eventuais problemas e interações medicamentosas, entram em contato com seu seguro de saúde e acompanham sua terapia, seja através de email, site, telefone, chat ou pelo aplicativo da empresa (super interessante e de fácil acesso), 24 horas por dia.

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Ela foi fundada por dois farmacêuticos, TJ Parker and Elliott Cohen, que alegam ter cansado de ver pessoas sofrendo em tentar organizar e entender suas terapias, e ao tentar aprofundar mais essa análise, se deparavam com farmacêuticos e farmácias com recursos limitados para ajudar e atender seus pacientes.

Referência: http://venturebreak.com/2014/10/31/pillpack-pharmacy-future/

2) WallGreens at UCSF

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Uma parceria da University C San Francisco e a Walgreens, resultou na abertura de uma farmária universitária extremamente diferenciada que tem como missão promover o uso segura e racional de medicamentos, diminuir os custos da saúde pública e ajudar os pacientes a utilizar produtos e medicamentos com maior eficiência através da oferta de atenção farmacêutica e serviços farmacêuticos, além de outros serviçoa de saúde e bem-estar, aumentando o espectro de atuação padrão de uma farmácia.

Os principais serviços de saúde incluem o conciliamento de medicamentos pelos farmacêuticos, com o intuito de promover cuidado farmacêutico aos pacientes que recebem prescrições, as revisando e elaborando listas de medicamentos e organogromas de fácil entendimento e uso. Este tipo de ação pode auxiliar na redução de interações medicamentosas e aumentar a adesão do tratamento.

Referência: https://www.ucsf.edu/news/2014/02/112136/ucsf-walgreens-open-new-pharmacy-explore-new-models-patient-centered-care

3) Farmácia Farmacura

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Com três filiais, localizadas em Cerquilhos, Tietê e Santos, tem como missão de beneficiar o paciente através das ações dos cuidados farmacêuticos e estabelecer a farmácia como provedora e local de saúde, por 24 horas, todos os dias. Uma das maiores provas da defesa de sua missão é o fato desta não possuir balcão, e deixar todos os medicamentos isolados em sala com acesso exclusivo do farmacêutico, além de utilizar um sistema de atendimento diferenciado com consultório farmacêutico.

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Norteando estas ações , eles tem como pontos principais:
– o foco na saúde do paciente;
– a promoção do uso racional de medicamentos;
– intervenções e acompanhamento farmacoterapêutico;
– contando
com uma amplitude de serviços farmacêuticos.

Alguns dos serviços farmacêuticos oferecidos são:
 ATENDIMENTO DOMICILIAR
 AFERIÇÃO E ACOMPANHAMENTO DA P. A. E GLICEMIA
 CONSULTA FARMACÊUTICA E PRESCRIÇÃO FARMACÊUTICA
 REVISÃO DOS MEDICAMENTOS
 APLICAÇÕES DE TODOS INJETÁVEIS
 PEQUENOS CURATIVOS (ENFRENTAMENTO)
 INALOTERAPIA
 COLOCAÇÃO DE BRINCOS
 TRIAGEM E ACOMPANHAMENTO PFE
 TRIAGEM DE COLESTEROL E TRIGLICERÍDEOS

Referência: https://www.google.com.br/url?sa=t&source=web&rct=j&url=https://pt-br.facebook.com/FARMACURA&ved=0ahUKEwjwo8-xbHLAhXJW5AKHb9tDcAQFggdMAE&usg=AFQjCNFQRtH3Mpcc6FCNHqSoLMH7w1AUeA&sig2=lASxddfRAvpFbLeZwMyb1g

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3 comentários Adicione o seu

  1. Aurea R C disse:

    Olá Jauri,

    Ao ler a analogia com o Deadpool no título do post, isso me chamou a atenção e vim te visitar. Confesso que ainda não assisti ao filme, mas sua fama o precede.
    Me deparei com um post excelente no qual me identifiquei muito.
    Quando você diz: “o próprio modelo de farmácia já consagrado como negócio, que enxerga o profissional farmacêutico como mera exigência legal, e que enfoca o lucro em detrimento da melhoria de saúde e bem-estar que esta pode propiciar, está prestes a atingir seu colapso.”
    Espero, sinceramente que este colapso chegue e esta mudança aconteça. Tentamos, todos os dias ser agentes dessa mudança seja no balcão ao prestar um bom atendimento ao cliente ou em nossos blogs divulgando informação para tentar transformar, como você diz.
    Foi um prazer imenso ler seu post. Espero poder voltar sempre e continuar encontrando posts tão bons quanto este.
    Grande abraço,
    Áurea

  2. Concordo plenamente com você, tem que haver uma mudança radical neste estilo de Farmácia que temos aqui no Brasil
    sem esta mudança no estilo será muito difícil mudar este extinto comercial que existe visando somente o lado comercial, este estilo que você citou da FARMA CURA no meu entendimento também vejo como o ideal para começar esta mudança.
    o FARMACÊUTICO pode ajudar muito mais na saúde da população, pena que os governantes que temos aqui não consegue ver isso
    porque estão todos ingessados com uma visão curta do sistema.
    Grande abraço.
    Antonio Ap. Casarin.

  3. Muito obrigado pelos comentários e elogios!

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