Diabetes – uma bomba relógio!

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Em homenagem ao Dia Mundial do Diabetes, que ocorre no dia 14 de novembro, o blog Fale com o Farmacêutico irá compartilhar uma série de posts com dicas para farmácias, farmacêuticos, balconistas e para todos aqueles que se interessam pelo tema, ou o enfrentam diariamente. Embora o termo epidemia tenha sido utilizado, ao longo dos tempos, para a rapidez com que doenças infectocontagiosas se espalham pelo mundo, essa palavra também tem sido utilizada para explicar a velocidade espantosa do alcance do diabetes nos últimos anos. Atualmente, somos 366 milhões de pessoas com diabetes no mundo. A continuar o ritmo atual, seremos 366 milhões em 2030.

PANORAMA ATUAL DO DIABETES MELLITUS NO BRASIL

O diabetes mellitus tipo 2 (DM2) é considerado uma das grandes epidemias mundiais do século XXI e problema de saúde pública, tanto nos países desenvolvidos como em desenvolvimento. As crescentes incidência e prevalência são atribuídas ao envelhecimento populacional e aos avanços no tratamento da doença, mas, especialmente, ao estilo de vida atual, caracterizado por inatividade física e hábitos alimentares que predispõem ao acúmulo de gordura corporal.

A maior sobrevida de indivíduos diabéticos aumenta as chances de desenvolvimento das complicações crônicas da doença, estreitamente associadas ao tempo de exposição à hiperglicemia. Tais complicações – macroangiopatia, retinopatia, nefropatia e neuropatias – podem ser muito debilitantes ao indivíduo e são muito onerosas ao sistema de saúde. A doença cardiovascular é a primeira causa de mortalidade de indivíduos com DM2; a retinopatia representa a principal causa de cegueira adquirida e a nefropatia uma das maiores responsáveis pelo ingresso a programas de diálise e transplante; o pé diabético se constitui em importante causa de amputações de membros inferiores. Assim, procedimentos diagnósticos e terapêuticos (cateterismo, bypass coronariano, fotocoagulação retiniana, transplante renal e outros), hospitalizações, absenteísmo, invalidez e morte prematura elevam substancialmente os custos diretos e indiretos da assistência à saúde da população diabética. Ainda, o DM é frequentemente acompanhado de outras morbidades que podem tornar os custos totais exorbitantes.

Hoje existem amplas evidências sobre a viabilidade da prevenção, tanto da doença como de suas complicações crônicas. O número de indivíduos com DM permite avaliar a magnitude do problema e, nesse sentido, estimativas têm sido publicadas para diferentes regiões do mundo, incluindo o Brasil. Em termos mundiais, 135 milhões apresentavam a doença em 1995, 240 milhões em 2005 e há projeção para atingir 366 milhões em 2030, sendo que dois terços habitarão países em desenvolvimento (1,2), como mostra a figura 1.

mod1-cap1-figura1-zDados sobre prevalência de DM representativos da população residente em 9 capitais brasileiras datam do final da década de 80 (3). Nesta época, estimou-se que, em média, 7,6% dos brasileiros entre 30 e 69 anos de idade apresentavam DM, que incidia igualmente nos dois sexos, mas que aumentava com a idade e a adiposidade corporal. As maiores taxas foram observadas em cidades como São Paulo e Porto Alegre, sugerindo o papel da urbanização e industrialização na patogênese do DM2, conforme mostra a figura 2.

Um achado relevante na ocasião foi o de que cerca da metade dos indivíduos diagnosticados diabéticos naquela ocasião desconhecia sua condição. Isso significa que os serviços de saúde têm diagnosticado casos de DM tardiamente, dificultando o sucesso do tratamento em termos de prevenção das complicações crônicas.

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Mais interessante ainda foi a observação no estudo desenvolvido pelo Diabetes Prevention Program Research Group, conduzido nos EUA, no qual a tentativa de prevenção farmacológica da doença, por meio da metformina, trouxe resultados piores que os observados com a mudança do estilo de vida, com reduções no risco de DM de 31% e 58%, respectivamente (16), conforme mostra a figura 8.Outros estudos de prevenção primária de DM2 com intervenção farmacológica, conduzidos em diferentes populações, empregando medicamentos destinados ao tratamento da obesidade ou do DM2, obtiveram sucesso na redução de risco, embora de magnitude inferior à alcançada com mudanças no estilo de vida (17,18).
mod-1-cap-1-figura-8-bHá amplas evidências de que o bom controle da glicemia e dos demais fatores de risco previnem complicações crônicas. Em se tratando do DM2, o UKPDS, no século passado, questionou se a eficácia do controle glicêmico preveniria as complicações crônicas diabéticas. Apesar de comprovar significantes benefícios do controle da glicemia na prevenção da microangiopatia (retino e nefropatia) – à semelhança do previamente documentado em portadores de DM1 no DCCT (25) – não demonstrou redução de eventos cardiovasculares e morte (26). As razões para tais achados foram em parte explicadas. A figura 11 resume os benefícios do controle da hipertensão e da glicemia em termos de redução relativa de complicações.

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Então, você acha que só uma pequena batidinha de ombro alertando sobre a importância da prática de exercícios físicos, alimentação regular e acompanhamento médico é suficiente? Precisamos urgentemente discutir e agir em prol da defesa desta mudança cultural, que com certeza poderá prevenir não só a incidência de diabetes, mas de diversas outras doenças crônicas e degenerativas, e suas complicações.

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Referências

  1. Ebook 2.0 sobre Diabetes. Acesso em: http://ebook.diabetes.org.br/. Sociedade Brasileira de Diabetes
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