E o Mercado da Beleza, está sendo afetado pela crise?

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Trouxemos três matérias diferentes que levam a mesma conclusão: a crise não está afetando as vendas na categoria de produtos de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos; pelo contrário, alguns enxergam que ela está incentivando as vendas destes segmentos. Oportunidade que todos enxergam?

Crise estimula venda de cosméticos

Em tempos de recessão econômica, mulheres compram mais artigosde beleza do que bens duráveis

IG E O DIA

Rio –  Crises financeiras são as épocas mais lucrativas para a indústria de beleza. O fenômeno, conhecido como “Índice Batom”, foi percebido por Leonard Lauder, presidente da tradicional marca de cosméticos norte-americana Estée Lauder, após notar aumento nas vendas em 2001, com os Estados Unidos devastados pela queda das Torres Gêmeas e com baixa atividade econômica. No Brasil, a percepção também faz sentido. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal e Perfumaria (Abihpec), no ano de 2010, quando a economia do país cresceu 7,5%, o setor faturou R$ 29,9 bilhões. Já com a previsão para crescimento do PIB de 2014 em 0,15%, a expectativa de ganhos no segmento é de R$ 42,6 bilhões. Ou seja, 42% a mais.

“A gente quer sempre melhorar a aparência. Mesmo sem dinheiro compra um batom, um creme…”, Rosane Maria Pereira da Silva, cabeleireira

Foto:  Paulo Araújo / Agência O Dia

A justificativa é que em momentos de dificuldade financeira, as mulheres dariam preferência a produtos mais baratos. Entre eles, batons que são encontrados na faixa de R$ 25, em vez de bolsas e sapatos, cujo valor passa dos R$ 100, por exemplo. Além disso, os cosméticos teriam a função de melhorar a autoestima e ajudar na busca por empregos, no caso de o país estar em recessão.

Economista da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Fabio Bentes conta que o setor de cosméticos foi o que mais cresceu no Brasil nos últimos anos. Porém, segundo ele, o país ainda não vive uma crise econômica. “No comércio as vendas não estão caindo, só estão crescendo menos. Também não há desemprego, por isso não podemos dizer que estamos em recessão. Nesse sentido, o aumento no consumo de artigos de beleza é estimulado pelo aumento de renda da população”, explica.

Porém, o economista acredita que este ano será mais difícil que 2014. A tendência é que o orçamento familiar seja prejudicado pelo aumento na tarifa de energia elétrica e reajustes no combustível, entre outros.
“Nos últimos anos, o brasileiro passou a gastar mais com bens duráveis, como eletrodomésticos e automóveis. Ocorre que estamos em um ano particularmente difícil, porque o crédito está muito caro. O consumidor olha para o valor da prestação e vê que não vai caber no orçamento”, avalia.

Assim, o “Índice Batom” pode se tornar realidade. A cabeleireira Rosane Maria Pereira da Silva, 41 anos, por exemplo, evita comprar roupas, principalmente se tiver que parcelar, mas não abre mão da maquiagem. “Sempre uso batom, lápis. Tenho que me cuidar”, brinca.

Já a gerente de TI Renata Andrade, 37, diz que cosmético é questão de necessidade. “Bolsa e sapato são supérfluos, mas não dá para ficar sem lavar o cabelo, sem fazer a unha. Rímel também é fundamental para tirar a cara de sono no trabalho”, conta.

Homens são o novo público alvo do setor de beleza

Em busca de novos mercados, o segmento de cosméticos começou a investir no aumento de renda da classe C. Assim, conseguiu ganhar novos consumidores. Agora, segundo o economista Fabio Bentes, é a vez dos homens serem fisgados pelo setor.

“Esgotou-se a capacidade que a classe C tinha de consumir mais e é natural que o mercado busque novos compradores. O potencial de consumo agora é o público masculino, que está adquirindo cada vez mais cosméticos”, avalia o especialista.

Para Daniel Silveira, diretor regional da Natura, os produtos voltados para os homens ganham destaque na marca. “Eles estão cada vez mais vaidosos, temos pesquisas que indicam isso e os produtos têm ganhado espaço dentro do mix da empresa”, explica.

O foco, porém, continua sendo as mulheres. Rosana Marques, diretora de Comunicação da Avon Brasil, afirma que o ano passado foi interessante para a gigante norte-americana. “Se a mulher está desempregada, compra um esmalte e faz a unha em casa. Elas deixam de financiar carro novo, eletrodoméstico, porque já estão endividadas, mas aderem às pequenas indulgências”, diz.

No Brasil, boa parte do consumo de produtos de beleza é feita por meio de revendedoras. Segundo Roberta Kuruzu, diretora-executiva da Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (Abevd), mesmo com as dificuldades de 2014 houve crescimento no setor.

“O ano foi difícil, a gente vê que o momento é de crise, mas não dá para negar que as pessoas deixam de comprar bens duráveis e compram cosméticos. Grandes empresas vieram para o Brasil e o setor tem se fortalecido”, conclui.

Reportagem de Maíra Teixeira, do IG, e Stephanie Tondo, do Dia

Mesmo com crise econômica, mercado de cosméticos supera expectativa e cresce quase 12%

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As perspectivas menos otimistas para a economia no Brasil não afetam as expectativas do setor de cosméticos, perfumaria e higiene. A indústria, por mais um ano, manteve o ritmo de alta acelerada do faturamento, de acordo com números divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec). A entidade diz que as vendas do setor cresceram 11,8% no último ano, ritmo próximo dos cerca de 10% de 2013. Com isso, o faturamento total em 2014 superou os R$ 40 bilhões.

Para o presidente da Abihpec, João Carlos Basilio, o setor tende a ser menos afetado por alguns fatores macroeconômicos que têm peso sobre outros segmentos de consumo. Para ele, a instabilidade econômica pode afetar a venda de itens de maior preço, mas ele considera que, no nosso segmento, o interesse pode até crescer.

“Atualmente, o Brasil ocupa o posto de terceiro maior consumidor mundial de produtos de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos, atrás apenas dos EUA e da China. O consumidor que não tem condições de renovar a geladeira ou o fogão acaba buscando um produto que possa dar satisfação a um preço mais baixo”, comentou.

Os investimentos também continuam mantendo ritmo de alta dos últimos anos. De acordo com a Abihpec, os investimentos da indústria este ano superam os R$ 14 bilhões, um resultado mais de 5% superior a 2013. Uma das explicações para a alta de investimentos mesmo diante das incertezas no cenário macroeconômico e em um ano de eleições é a crescente competição.

“A competitividade no setor vem aumentando de forma significativa, e não basta só a empresa oferecer produtos de qualidade, mas seu catálogo precisa ser sempre renovado, e sua marca precisa ser conhecida e divulgada. Neste sentido, nossa empresa têm investido constantemente no lançamento de novos produtos, como a nova linha de sabonetes líquidos, e realizou pela primeira vez uma campanha nacional de comunicação”, completou o vice-presidente da UP!, clarel JR Lopes.

E a UP! também não para de investir para oferecer sempre a melhor estrutura para sua família. Após a forte divulgação da nossa marca na grande mídia, com o ator Luigi Barichelli como garoto propaganda e o lançamento da campanha VemPraUP!, muitas novidades vêm por aí. Prepare-se!

Setor de higiene, perfumaria e cosméticos faturou R$ 101 bi em 2014

Brasil é o terceiro maior mercado consumidor de produtos ligados à beleza. Nem mesmo a alta do dólar desanima os empresários do segmento.

O Brasil é o terceiro maior mercado consumidor de produtos ligados à beleza. Nem mesmo a alta do dólar e dos novos impostos que vêm por aí para o setor desanimam os empresários que investem nesse segmento bilionário.

A alta do dólar já começou a influenciar no mercado da beleza. Em média, 80% das matérias-primas usadas nos cosméticos fabricados no Brasil são importadas, mas o preço mais salgado de alguns produtos não desanimou o mercado, que cresce em média 10% ao ano. Uma feira do setor em São Paulo atraiu mais de 110 mil visitantes.

Mais de 950 expositores mostraram novidades, como uma limpeza de pele com lâminas de ouro ou uma maleta que abre e vira um camarim. Compradores para esses produtos não faltam. Segundo o Sebrae, por mês 7 mil novos salões são abertos no país.

A indústria da beleza emprega hoje no Brasil 4,8 milhões de pessoas. Oitenta por cento dessas vagas são ocupadas por mulheres, mas é só dar uma voltinha na feira para ver que os homens estão ganhando cada vez mais espaço.

O Brasil é o terceiro maior mercado consumidor do setor de beleza do mundo, atrás só dos Estados Unidos e China, mas o presidente da associação que representa o setor se preocupa com o futuro. Ele diz que a extensão do IPI para distribuidores interdependentes pode gerar grandes perdas.

Apesar da previsão negativa, não faltam empresários que veem no mercado brasileiro muito potencial. O faturamento do setor no ano no passado foi de R$ 101 bilhões, 1,8% por cento do PIB nacional.

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